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Maio de 2002. Revista Update, por Carreira.
Job matching combina perfil da pessoa com natureza da função
Herbert Greenberg, 73 anos, cego desde os 9, é hoje
uma das maiores autoridades em RH, autor de quatro livros
e dono da consultoria global Caliper, que, em 40 anos de existência,
já trabalhou com 23 mil empresas e avaliou 2 milhões
de indivíduos. Tudo isso porque trabalhou com um conceito
simples - na verdade, quase óbvio - batizado de job
matching.
"O que tentamos fazer é simplesmente entender
quem a pessoa é para depois associá-la ao emprego
que mais se encaixa em suas habilidades e motivações",
explicou, antes do lançamento de seu livro "As
cinco qualidades do supervendedor", na Amcham-SP, no
início de abril. O livro já está em sua
terceira edição nos EUA.
Pelas contas de Greenberg, entre 20 indivíduos, de
10 a 15 estão no emprego errado. Ele citou o exemplo
do caso de vendas: 55% da força de vendas norte-americana
têm pouca ou nenhuma habilidade para vender, enquanto
25% a têm, mas estão vendendo o produto errado.
Apenas os 20% restantes fazem o trabalho apropriado - e são
esses indivíduos que realizam 80% das vendas totais.
Segundo o executivo, a má utilização
de habilidades causa efeito devastador, para funcionários,
que não têm motivação, e para companhias,
que perdem em produtividade. Aqui entra o processo de job
matching.
Em primeiro lugar, define-se a posição a ser
ocupada - não com uma simples descrição
do trabalho, mas com um entendimento detalhado do que o cargo
envolve "hora a hora, dia-a-dia", como descreveu
Greenberg. O passo seguinte é determinar as qualidades
necessárias para que um indivíduo seja bem-sucedido
naquela posição específica. Quando esses
dois pontos são definidos, inicia-se o processo de
seleção.
Entre os inúmeros pontos a serem analisados no potencial
do funcionário, o especialista destaca que o job matching
deve levar em conta as fraquezas do candidato, para que elas
não levem aos chamados "erros fatais". Se
esses fatores forem considerados, explicou ele, as probabilidades
de sucesso serão bem mais altas, independentemente
de instrução, treino ou experiência. "Em
muitos casos, experiência não quer dizer muita
coisa", disse. "Para muitos, 12 anos de experiência
equivalem na verdade há apenas um ano".
Universidades e times esportivos norte-americanos, principalmente
de basquete e baseball, têm procurado avaliar o potencial
de sucesso de seus atletas. A competição é
acirrada: há cerca de 20 mil jogadores de basquete
universitários, dos quais apenas 400 chegarão
à primeira lista da NBA (National Basketball Association).
Destes, apenas 54 entrarão para a NBA. Entre os clientes
da Caliper estão os times de basquete Los Angeles Lakers,
Atlanta Hawks e Orlando Magic e times de baseball como o Chicago
Cubs.
A proposta de job matching, segundo o executivo, auxilia
não só no âmbito empresarial, mas também
na reinserção de indivíduos excluídos
do mercado de trabalho. Ele citou com orgulho o programa "Welfare
to Work" (Da Previdência Social para o Trabalho),
que nas décadas de 60 e 70 aplicou o conceito entre
cerca de 4 mil pessoas "cronicamente desempregadas"
em San Juan (Porto Rico) e Nova York. Depois de uma avaliação
detalhada, os candidatos foram distribuídos entre 55
posições em 72 empresas.
Greenberg disse que os resultados foram surpreendentes.
Em dois anos, menos de 3% das pessoas saíram do emprego
por inabilidade no trabalho - a ausência de diplomas
ou experiência profissional e a presença de registros
criminais não foram barreira para o bom desempenho.
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