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17 de julho de 2001. Jornal do Comércio, por Elizabeth
Oliveira e Débora Oliveira. Rio de Janeiro / RJ.
Testes psicológicos ajudam a encontrar profissional
certo para a vaga.
Para reduzir a rotatividade de funcionários, é
preciso atacar o mal pela raiz, eliminando os equívocos
cometidos durante o processo de seleção. Por
isso, além das tradicionais entrevistas, testes de
conhecimento técnico e dinâmicas de grupo, as
empresas começam a intensificar a aplicação
de testes de personalidade. Caliper, Palográfico e
Wartterg são algumas das ferramentas que podem ajudar
o departamento de Recursos Humanos a escolher a pessoa certa
para completar o organograma.
A Allied Domecq Brasil recorre ao Perfil Caliper para contratação
de gerentes e vendedores. Gerente de RH, Vanir Manhães
afirma que a utilização do teste minimiza erros
de administração. "A principal vantagem
é transformar o recrutamento numa maneira de descobrir
talentos e habilidades, de forma confiável", diz.
Uma confiabilidade já atestada por 25 mil empresa que
usaram o método em 38 países.
Criado no Estados Unidos pela consultoria internacional Caliper,
o Perfil Caliper é um questionário de 150 perguntas
que avalia 30 traços de personalidade, como liderança,
presteza, cautela e ambição. Começou
a ser usado no início dos anos 60 e já auxiliou
no processo de seleção de 1,5 milhão
de profissionais em todo o mundo. No Brasil, foram aplicados
5 mil testes nos últimos cinco anos.
Erros minimizados
O objetivo é diminuir os erros na contratação.
Com o teste, é possível atingir esta meta em
até 95% - afirma o diretor geral da Caliper Brasil,
José Geraldo Recchia. As respostas dadas pelos candidatos
são avaliadas por especialistas em consultoria.
Para ter acesso ao teste destinado às funções
de gerência, as empresas pagam entre R$ 305 a R$ 415.
O dedicado aos profissionais de vendas sai por R$ 200. A Perdigão
- que hoje emprega 20 mil pessoas - optou pelo primeiro pacote
e, há um ano e meio, usa o Perfil Caliper para complementar
a avaliação de candidatos a cargos de supervisão
e gerência, diminuído o turnover (rotatividade).
Psicóloga da área de recrutamento e seleção
da empresa, Janaina Verona ressalta que esta é, ainda,
uma ferramenta para descobrir a necessidade de treinamento
dos futuros empregados e não apenas as suas habilidades.
"O método é realmente eficaz, tanto que
indicamos para outras companhias".
Já na Rio Sul Linhas Aéreas, a preferência
na seleção é pelo teste Wartterg, que
usa desenhos para a avaliação de personalidade.
São apresentadas figuras para que o candidato dê
títulos, coloquem em ordem de preferência e determine
que estímulos provocam. "O objetivo é complementar
outras técnicas de avaliação do perfil
dos profissionais", garante a gerente de desenvolvimento
de RH, Gloria Alves de Souza.
Pelos resultados do Wartterg, é possível medir
a capacidade de se relacionar e seguir regras, assim como
a ambição do candidato, como explica Flavia
Queiroz, gerente da filial carioca da Manpower, empresa de
recrutamento, seleção e treinamento de pessoal.
"Na verdade, isso faz parte de uma avaliação
maior, que chamamos, na Manpower, de Predicta. Compreende,
ainda, a análise de vaga e da cultura organizacional
da empresa e a análise grafológica do profissional",
acrescenta.
Para a análise grafológica, o candidato recebe
uma folha de papel sem pauta e a avaliação é
feita a partir da força do traçado e da inclinação
da letra. "O principal é combinar as várias
ferramentas com o objetivo de encontrar a pessoa que mais
combina com a vaga oferecida e, portanto, estará menos
propensa a deixar a empresa", observa a gerente de projetos
da Manager Assessoria em Recursos Humanos, Maria Inês
Felippe, citando também os testes Palográfico
e de Rochach.
Análise grafológica
O primeiro analisa a personalidade do candidato através
de traçados gráficos, dando aos recrutadores
a noção de controle emocional e propensão
ao trabalho em equipe, sendo mais usado para níveis
operacionais. O segundo consiste em uma série de borrões
de tinta, sobre os quais o candidato diz o que está
vendo - explica Maria Inês. A gerente de projetos da
Manager afirma que, para executivos, o mais comum é
o uso do Wartterg e da análise grafológica.
Depois de aplicados os testes psicológicos, é
hora de analisar os resultados. "Os testes são
um retrato do momento que o candidato está vivendo.
Temos que levar isso em consideração",
diz Glória, gerente de desenvolvimento de RH da Rio
Sul Linhas Aéreas. Presidente da Associação
Brasileira de Recursos Humanos no Rio (ABRH-RJ), Luis Carlos
Campos lembra que o estado emocional do profissional no momento
influencia os resultados.
Supervisora de recrutamento e seleção da Pro
Recursos Humanos, que tem entre seus clientes a Volkswagen
e a Kodak, Myriam Bacalini diz que a chave para diminuir o
turnover é saber combinar perfil da vaga e do candidato.
"Os testes ajudam, mas o processo é mais complexo.
É preciso saber se as expectativas do candidato estão
em compasso com que a empresa pode dar".
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