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Liderar é saber lidar com as diferenças

Diferenças tornam sua empresa mais preparada para os desafios

As diferenças entre os povos vão além da cor da pele, do cabelo ou dos olhos puxados. São os valores culturais que revelam o comportamento das pessoas em diferentes países e situações. Há povos extremamente focados em trabalho, outros em resultados e alguns em relacionamentos.

Hugo Rodríguez Barba, Presidente da Drogamed e com vasta experiência em liderança intercultural, já trabalhou como Engenheiro de Pesca – sua primeira formação – fez também mestrado em tecnologia pesqueira no Japão e, depois de um MBA, atuou na área de finanças internacionais. Durante sua vida profissional já morou em mais de quatro países. O Presidente reservou parte de seu tempo para dividir seus conhecimentos com os clientes Caliper.

Hugo observou que os japoneses são realmente educados para trabalhar. Não, não é boato ou estratégia para vender tecnologia. Com vida extremamente regimentar, os orientais são muito "certinhos", muito dedicados. É como se aceitassem com naturalidade a idéia de que "já que temos que trabalhar, vamos trabalhar mesmo, com qualidade no que fazemos". O resultado de toda essa dedicação das pessoas está na potência mundial em que se transformou o Japão.
Hoje, a economia do país é a segunda maior do mundo. A renda per capita nacional chegou a 24 mil dólares em 2001, o que coloca o Japão em 5º lugar no ranking entre as 30 nações membros da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). Tudo isso prova que o Japão não nasceu grande, mas tornou-se uma potência por meio do comprometimento das pessoas. Por outro lado, amizade e companheirismo não são valores muito praticados por lá. "Um estrangeiro sente-se muito estrangeiro no Japão", diz Hugo.

Já os americanos, que também têm fama de não criar laços de amizade, apresentam, na verdade, comportamentos individualistas. As pessoas preocupam-se consigo mesmas. Resultado de uma cultura que quer estar sempre em primeiro lugar: a melhor escola, a melhor faculdade, os melhores professores e que exige os melhores resultados, tanto de alunos quanto de profissionais. "Estudei meu MBA em uma escola americana onde percebi que os professores não são apenas repetidores de conteúdo, eles transmitem pontos de vista com qualidade", conta Hugo. O americano é ambicioso, tem um senso de nacionalismo aguçado e, para chegar "no topo", não mede esforços. O líder americano sabe disso e usa essa característica para estimular os seus subordinados.

Há 8 anos no Brasil, o peruano Hugo precisou conhecer as características culturais específicas dos brasileiros. Foi necessário muito tato e aprendizado para que ele percebesse as diferenças e aprendesse a lidar com elas. "O Brasil é um país de equipe. O brasileiro é muito coletivista, gosta de fazer parte do projeto... quando cheguei no país comecei a perceber que, quando o brasileiro sente-se parte importante do processo, o seu comprometimento é impressionante".
Como líder de equipes, o Presidente da Drogamed diz que o fundamental num processo de liderança, é saber o que se quer. Para ele, o processo se fundamenta basicamente no chamado Tríplice E. Ele explica:

1: envision: ter a capacidade de criar a visão (onde quero ir) e transmiti-la.
2: enabling: fornecer as ferramentas que se precisam para atingir os objetivos.
3: empowering: significa dar às pessoas o poder.

Hugo acredita que o líder é um fornecedor e um facilitador de processos. "Você precisa dar o poder para as pessoas, não somente o objetivo. Delegado o poder, o líder as acompanha. Mas um líder que não conhece o que está falando não consegue transmitir poder às pessoas", enfatiza.

Para lidar com diferenças interculturais em processos de liderança, Hugo relatou que sempre usou a inteligência emocional. Para ele, o ponto-chave é aceitar que a diferença existe. "Você não é o dono da verdade, a maneira que você aprendeu não é a única e correta. Acho que isso pode parecer simples – e é simples de fato – mas o que acontece é que a soberba do ser humano não permite que ele seja mais humilde", confessa.

A grande lição de Hugo é que, não importa o país em que você esteja, o importante é reconhecer que existem outras formas de encarar a vida, outras maneiras de realizar os projetos, outra velocidade... O mundo muda o tempo todo e muito rapidamente, esteja onde você estiver. Você já parou para pensar nisso? Seja um líder melhor aprendendo a utilizar as diferenças para sua equipe ser melhor. Afinal, diferenças tornam sua empresa mais preparada para os desafios e promovem o desenvolvimento de habilidades que algumas culturas não desenvolveriam sozinhas. Quem sabe seja hoje o dia de aprender algo com a pessoa de olhos puxados ou com o típico americano que está ao seu lado?

 

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