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A briga boa

Dentro das organizações, as brigas e os desentendimentos são evitados a qualquer custo por serem vistos, muitas vezes, como um sinal de que a empresa está em colapso. Ainda mais porque existe o forte julgamento de que boas equipes de trabalho são aquelas que se completam em tudo e têm sintonia perfeita. Entretanto, é preciso ter consciência de que a perfeição não existe e os desentendimentos podem gerar bons frutos, se encarados com maturidade e responsabilidade.

Todos acompanharam a briga do time de vôlei nacional no final de 2006, no jogo contra a Bulgária, durante o Campeonato Mundial de Vôlei. Era o segundo set e o Brasil perdia por 16 a 12, quando no tempo técnico Ricardinho cobrou os companheiros de uma forma mais ríspida iniciando uma discussão com os jogadores Gustavo e Escadinha. O técnico Bernardinho interveio e, logo depois, mandou o titular para o banco e Marcelinho entrou em sua vaga.

E qual foi o resultado de tudo isto? O Brasil se tornou Bicampeão Mundial de Vôlei, indicação de que a briga citada foi bem mais positiva do que negativa. Obviamente, não se recomenda brigar para alcançar objetivos ou para obter títulos, mas uma discussão, se bem conduzida, pode ser o pontapé inicial para uma nova fase, um impulso para visualizar novas chances, novas oportunidades antes não vistas.

Geralmente, as pessoas têm medo de conflitos e pensam que estes devem ser evitados. Mas, a ausência deles pode significar acomodação em relação aos problemas, deixando a rotina tomar conta do que poderia ser mudado, melhorado, aperfeiçoado e, pode significar, principalmente, a falta de aprimoramento de idéias das pessoas que compõem uma equipe.

Um conflito pode ser negativo, e muitas vezes é, mas por outro lado pode servir para desafiar as pessoas a irem além do que julgavam que poderiam, assim como ocorreu com o time brasileiro de vôlei. O sucesso de uma crítica depende da forma como se expressa e de como é recebida. Em alguns momentos vêm de pessoas que desejam honestamente o bem da empresa e de todos, e por isso devem ser consideradas.

"Às vezes, as pessoas podem errar na forma de cobrar, mas não se pode duvidar da intenção", isto foi o que disse o técnico Bernardinho sobre a discussão do time de voleibol. E, ele certamente sabe que equipes que não se permitem ter nenhum tipo de conflito e evitam ter as conversas honestas das quais necessitam, certamente não rendem tudo que poderiam e não têm poder de se transformar em "equipes de sucesso".

No livro "O Sucesso Tem Fórmula?" recém-lançado no Brasil, pela Caliper, há uma frase de Sonny Barger, lendário membro da Hell's Angels, um dos primeiros clubes de motociclismo da história, que explica perfeitamente como devem ser encaradas as críticas: "Em primeiro lugar, eu jamais pedia a alguém para fazer algo que eu não faria junto com eles. Segundo, como líder, eu ouvia as pessoas. Os líderes gostam de pensar que se cercam dos indivíduos mais brilhantes, mais durões e melhores, mas quantos líderes têm a coragem de se cercar dos mais honestos? É provável que existam muitos desentendimentos e discordâncias entre individualistas convictos. Esse é o preço que você paga por se cercar de indivíduos autênticos. (...) Como líder, meu conselho é: não confunda discordância sincera com deslealdade. Aceite a discordância da forma como ela é colocada – desde que seja sincera. Ouça com atenção e não leve para o lado pessoal. A voz discordante talvez venha daquele solitário e corajoso amigo que o livrará de cometer o maior erro de sua vida." (GREENBERG SWEENEY, 2006, p. 206-207).

Exemplos como estes são freqüentemente citados nos programas de Desenvolvimento de Líderes ministrados pela Caliper. E também são utilizadas perguntas essenciais para o progressivo desempenho de equipes. Cada indivíduo do grupo deve refletir sobre estas questões:

  • O que precisa ser dito, está sendo realmente expressado?
  • Como posso fazer, ainda melhor, os processos que já realizo?
  • Como eu aceito as críticas? Como ataques dos quais preciso me defender, ou como oportunidades a serem aproveitadas de forma a melhorar situações que envolvem minha equipe?

É importante refletir sobre isso e, mais importante ainda, é preciso estar aberto às críticas construtivas, àquelas que têm objetivo de realizar melhorias. E quando for necessário expressar uma crítica é importante fazer distinção daquela com poder de mudanças positivas das que são prejudiciais ao progresso, pois estas promovem a perda de tempo e são totalmente dispensáveis.

A Caliper realiza constantemente observações sobre estes conflitos em seus programas com executivos de alto nível, pois é preciso prepará-los para as "boas brigas", aquelas que podem gerar bons frutos para a empresa. Afinal, é importante ser honesto na comunicação, podendo dar e receber críticas como desafios diários.

Hevelin Quintão - Coordenadora de Marketing da Caliper do Brasil

 

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