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O Perfil Gerencial da Mulher Brasileira

O Perfil Gerencial da Mulher Brasileira

Agressivas ou assertivas. Cautelosas ou arrojadas. Criativas ou não. Qual será o estilo de gerenciar da mulher brasileira?

A revista Mulher & Carreira, em parceria com a Caliper do Brasil, Consultoria Multinacional em Recursos Humanos, realizou uma pesquisa com 181 mulheres que atuam na área de gestão e em cargos administrativos. Os resultados foram surpreendentes.

A pesquisa apontou que as mulheres em cargos gerenciais têm alto grau de assertividade. Isso significa que elas conseguem expressar as idéias de forma clara e objetiva. Já o nível de agressividade é mais baixo. Segundo Ana Cristina Artigas Santos, gerente de atendimento a clientes da Caliper do Brasil e coordenadora da pesquisa, esse é um estilo de liderança positivo, pois a gestora sabe defender seu ponto de vista com convicção, mas não ultrapassa a dose de agressividade para ser muito autoritária. Quando a assertividade está abaixo da agressividade é sinal de que a líder é mais impositiva. “Na maioria das vezes isso não é bem-visto pela equipe, principalmente quando a alta agressividade é somada a baixa flexibilidade”, afirma.

Segundo Ana Cristina, um dos pontos que surpreendeu as expectativas foi em relação a auto-estima. A pesquisa mostra que a força do ego, que é a habilidade de lidar com as rejeições e aceitar as críticas como construtivas está acima da média, atingindo cerca de 70 pontos. “Imaginava que as mulheres se chateavam mais quando eram criticadas. Se elas tivessem com a auto-estima menor, poderiam até ficar desmotivadas”. A diretora da área de desenvolvimento em recursos humanos da GVT, Telma Souza, aprendeu a tirar o máximo proveito das críticas que recebe. “Todo gestor passa por um processo de amadurecimento a cada novo desafio e eu aprendi a trabalhar melhor com as críticas”.

Cautelosa ou arrojada?

A análise confirmou também que as gestoras são mais precisas que as líderes administrativas. “Elas têm uma tomada de decisão mais cuidadosa do que arrojada”, diz Ana Cristina. Se por um lado é bom o equilíbrio entre o senso de cautela e a tomada de decisões, por outro pode prejudicar o crescimento profissional. “Ela poderia ser menos cautelosa e assumir mais riscos. Isso impede a ascensão”, afirma. Em contrapartida essas mulheres têm uma grande necessidade de ver os resultados concretos. O senso de urgência em níveis extremamente altos podem indicar impaciência e expectativas irreais em relação a prazos. Por outro lado a gestora, na maioria dos casos, é flexível. “Quando a meta permite é incoerência não ser flexível. Trabalhamos com diversos fatores que podem causar atrasos, mas nada que prejudique o cumprimento dessa meta”, explica Carolina*, que gerencia uma equipe com 12 pessoas.

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Relacionamento com a equipe

As gestoras são bastante empáticas, sociáveis e extrovertidas, o que facilita no momento de iniciar um contato com outras pessoas. Na opinião de Ana Cristina, gerente da Caliper do Brasil, a sociabilidade é uma característica relacionada com o prazer de estar e trabalhar com os outros. Elas gostam de interagir e se relacionam bem em situações com o grupo ou com cada um. Para Carolina, o tipo de relacionamento com a equipe depende também do número de pessoas que a compõem. “Quando você trabalha com um número reduzido, a sensibilidade é um diferencial”, diz ela, que sempre procura conhecer cada um da sua equipe e suas necessidades. “Dessa forma a gerente consegue delegar tarefas adequadamente de acordo com o que cada integrante pode realizar”, completa Ana Cristina.

O índice de prestatividade aparece no gráfico entre 50 e 60. Quando as mulheres são prestativas elas ajudam e orientam os parceiros. Quando esse índice é baixo revela que a pessoa não está preocupada em colaborar com os demais. “Essa característica ajuda a diferenciar o líder bem-visto pelo grupo, o integrador, daquele autoritário”, conta Ana Cristina. As mulheres gestoras também apresentam um certo grau de desconfiança. Tendem a suspeitar dos motivos apresentados pelas outras pessoas. 

Comparação entre o perfil gerencial e perfil administrativo da mulher brasileira

A pesquisa revela uma diferença notável no perfil de mulheres em cargos administrativos e gerenciais. O gráfico aponta que o nível de agressividade das mulheres que ocupam funções administrativas é menor, em contrapartida, está acima da assertividade. Isso mostra que elas são mais autoritárias e cobram mais do que as gestoras. Além disso, apresentam baixa empatia, o que significa que preferem analisar a equipe como um todo do que as necessidades individuais de cada pessoa. No entanto, possuem um ego-drive menor em relação as que atuam em cargos de gestão.

Essas profissionais se expõe menos a riscos do que as mulheres gestoras, por isso são muito mais cautelosas. “Essa atitude pode atrapalhar o crescimento profissional. Ela precisa ter mais coragem”, afirma Ana Cristina. Tanto na estrutura interna, que está relacionada com autodisciplina, controle interno e capacidade de trabalhar de forma independente quanto na estrutura externa, que indica o grau de sensibilidade a normas e procedimentos externos, os dois gráficos são parecidos. Nesses aspectos as mulheres são capazes de lidar tanto com questões práticas, como com as que exigem desafios intelectuais, podendo envolver-se com planejamentos mais estratégicos.

Outro ponto interessante de ser comparado é o grau de desconfiança, que chegou a 70. Maria Guimarães trabalha no departamento financeiro de uma multinacional há cinco anos e confirma os dados da pesquisa.“Sou extremamente desconfiada”, revela. No que diz respeito a criatividade, os dois gráficos estão praticamente juntos, na casa dos 40 pontos. O baixo nível criativo poderá, em algum momento, dificultar que encontrem caminhos alternativos no momento que surge algum empecilho.

No aspecto da resolução de problemas, o qual chamamos de raciocínio abstrato, as mulheres agem de forma distinta. Aquelas que têm perfil administrativo tendem a buscar uma abordagem mais concreta e prática para resolver os problemas.

Liderança e relacionamento

Nas questões de liderança e relacionamento com a equipe o perfil das mulheres que atuam em cargos gerenciais e administrativos é muito diferente. Porém, no que diz respeito a organização pessoal e administração do tempo existe uma aproximação maior.

Segundo especialistas da Caliper, existe um bom equilíbrio entre as funções, já que enquanto as gestoras se envolvem com a definição de estratégias, abertura de novos contatos e estão mais preocupadas em desenvolver pessoas, as funções administrativas funcionam como suporte para essa gestão e esse equilíbrio parece ser adequado para o resultado final dos desafios que vivenciam hoje nas organizações. “Dessa forma, quanto mais apostarmos no desenvolvimento e crescimento das mulheres no nosso País, mais as organizações podem obter ganhos e terem o privilégio de compor suas equipes com profissionais que lutam para que as empresas cresçam e se diferenciem”, finaliza a gerente de atendimento a clientes da Caliper do Brasil Ana Cristina Artigas Santos.

* O nome foi trocado para preservar a fonte

Agradecimentos especiais para a Caliper do Brasil, Ana Cristina Artigas Santos e Marília Zanim.


Definição dos Termos

Agressividade

Indivíduos com níveis altos nessa característica tendem a fazer uso da emoção e de um estilo mais agressivo em suas abordagens para conseguirem o que querem. A agressividade pode ser positiva, principalmente quando temperada com autodisciplina, empatia e responsabilidade. No entanto, em excesso, poderá significar um estilo mais autoritário e impositivo de transmitir seus pontos de vista.

Cautela

Essa característica está relacionada à velocidade e cuidado com que a pessoa avalia as situações ou os dados e como se mobiliza para a ação. Níveis muito altos indicam que a pessoa é cuidadosa de forma exagerada ou é excessivamente analítica para tomar decisões ou agir. Aqueles com níveis extremamente baixos tendem a ser mais impulsivos ou intuitivos em suas abordagens ou decisões.

Criatividade

Essa característica está relacionada à capacidade de desenvolver maneiras novas de olhar as situações e o potencial para ser inovador e criativo. Indivíduos com altos níveis nessa característica demonstram uma orientação para resolução criativa de problemas, formação de idéias e desenvolvimento de conceitos. Baixos níveis podem indicar uma preferência por soluções práticas e concretas.

Ego-Drive

É a necessidade interna de persuadir os outros como forma de obter gratificação pessoal. O indivíduo com ego-drive quer e precisa obter sucesso na persuasão para satisfazer seu ego. Isso não está relacionado à ambição, à agressão, à energia ou à disposição para trabalhar com afinco. Particularmente, é uma gratificação interna inerente a fazer com que a outra pessoa diga “sim”.

Empatia

É a habilidade de identificar precisamente as reações da outra pessoa. Um indivíduo empático é capaz de entender exata e objetivamente os sentimentos da outra pessoa sem necessariamente concordar com eles. Essa indispensável habilidade de obter o feedback focado exatamente na necessidade do outro permite que esse indivíduo ajuste de forma adequada sua abordagem e suas atitudes para negociar efetivamente com as pessoas.

Precisão

Está relacionada com o senso de responsabilidade e a tendência com o que o indivíduo procura concluir as tarefas a ele designadas. Quando apresenta um alto nível nessa característica e, dependendo dos resultados obtidos em outros traços, tende a ser mais minucioso ao lidar com as informações e tarefas. Por outro lado, um nível baixo pode indicar que prioriza mais a rapidez do que a precisão na resolução de suas atividades.

Prestatividade

Essa característica indica a necessidade de ser reconhecido e aprovado pelos outros. Indivíduos com altos níveis tendem a ser prestativos e orientados para o atendimento. Tendo necessidade de serem aceitas, essas pessoas esperam reconhecimento e se esforçam para agradar os outros.

Raciocínio Abstrato

A habilidade de raciocínio está ligada à forma de organização do pensamento e é um importante componente no modo como a pessoa resolve problemas. Aquele com altos níveis têm tendência a serem mais analíticos e estratégicos em suas habilidades de lidar com problemas complexos ou multidimensionais.

Autor:
Josiane Benedet

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